Psicologia Humanista
Abraham Maslow
Escrito por Oliver Cás — médico especialista no diagnóstico de doenças raras do cérebro (neuropatologia) e autor. Ver os livros de Oliver Cás →
O psicólogo que parou de estudar o que torna as pessoas doentes e começou a estudar o que as torna mais plenamente vivas — e descobriu que a maioria de nós nomeia errado a sua própria fome.
Quem foi Abraham Maslow
Abraham Maslow nasceu em 1908 em Brooklyn, Nova York, filho de imigrantes judeus russos. Descreve a própria infância como solitária e infeliz, com pais que raramente demonstravam afeto. Esse contexto biográfico ajuda a entender por que ele se tornou o psicólogo que apostou mais radicalmente nas possibilidades humanas.
Estudou behaviorismo, mas progressivamente distanciou-se de uma psicologia que reduzia o ser humano a reflexos condicionados. Influenciado por Alfred Adler, Max Wertheimer e Ruth Benedict — a quem admira profundamente e estuda como exemplos de saúde psicológica plena —, Maslow fundou a psicologia humanista como alternativa tanto ao behaviorismo quanto à psicanálise.
A Hierarquia das Necessidades
A hierarquia das necessidades de Maslow é provavelmente o conceito mais citado (e mais distorcido) de toda a psicologia popular. Na versão original de seu artigo de 1943, Maslow propõe cinco níveis de necessidade em ordem de prepotência: fisiológicas, segurança, pertencimento e amor, estima e autorrealização.
O que a representação em pirâmide — que o próprio Maslow nunca desenhou — obscurece é a nuance central: as necessidades não são estágios sequenciais rígidos. Uma necessidade de nível superior pode emergir mesmo quando as inferiores estão apenas parcialmente satisfeitas. E o ponto mais importante: a motivação que dirige sua vida em determinado momento depende de qual necessidade está mais urgente — não de qual você pensa que deveria ter.
A maioria das pessoas nomeia mal o seu próprio degrau. Alguém que persegue fama compulsivamente pode estar respondendo a uma ferida de pertencimento, não a uma necessidade de estima. Alguém que trabalha 80 horas por semana pode estar respondendo a uma ansiedade de segurança, não a uma vocação de autorrealização. A confusão entre o degrau real e o degrau desejado é uma das fontes mais prolíficas de sofrimento desnecessário.
Autorrealização e Experiências de Pico
A autorrealização é, para Maslow, a necessidade de tornar-se aquilo que se é — de realizar o potencial pleno da própria natureza. Não é uma conquista, mas uma direção: o estado de pessoa que está continuamente tornando-se mais plenamente ela mesma.
Maslow estudou pessoas que considerava exemplos de autorrealização — Abraham Lincoln, Eleanor Roosevelt, Albert Einstein, entre outros — e identificou características comuns: aceitação de si e dos outros, espontaneidade, orientação para problemas (em vez de para o ego), autonomia, apreciação contínua das experiências da vida, e o que ele chamou de peak experiences — experiências de pico.
As experiências de pico são momentos de intensidade e transcendência — de plena absorção no momento presente, sensação de integração e significado. Maslow observou que praticamente todas as pessoas têm essas experiências, mas muitas as minimizam ou não sabem reconhecê-las. A capacidade de perceber e valorizar experiências de pico é, para ele, um marcador de saúde psicológica.
"Se você planeja ser menos do que é capaz de ser, provavelmente será infeliz todos os dias da sua vida." — Abraham Maslow
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